visitante(s) soprando palavras ao vento




31.1.06

Flores Impossíveis

Hoje,
Quero rosas e lírios
À beira dum rio
Onde crescem orquídeas
E flores impossíveis
À margem só de um inexistente mar sem fim.

Hoje,
Quero estar sem mim,
À beira de vida e existência.
Quero estar de canto
Cantando versos sem nexos.
Quero dar olvido para as imagens
E olhos impossíveis para os sons.
Dar de cara com os minutos compridos
E ver o tempo em marcha lenta.
Sem explicação,
Sem ação,
Sem unidade e excitação.
Quero ver que cor tem o som do silêncio,
E que este me ensine a fazer
Os versos que não sei.

Se pudesse, queria saber
Onde se escondem os mistérios;
E brincaria de esconde-esconde com eles...
Mas eu não sei nada!

Então!,
Queira eu a sabedoria,
Que se fosse concreta,
Viria no cheiro duma flor impossível
Que cresce à beira dum mar sem fim,
Numa praia confusa e sem areia,
Unidade e nexos.

Hoje,
Quero os pensamentos vagos
Sem vontade e mensagens nenhumas.

Flores,
Só flores:
Orquídeas, rosas
E lírios também.
Flores impossíveis e sem nexo
Com o cheiro da emoção,
Da inspiração
E da loucura.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:30 AM
 


25.1.06

TUDO É uma prisão.
E eu?,
Talvez um cão,
Sabido de rua,
Fuçando o chão à procura de um destino.

Ao menos por um momento ninguém.
Ter a indiferença diamantina de carvão cristalizado
Na geologia das eras.

Desarmar a alma
Para desaprender a amar.

Não botar laços
E também não cair em nenhum.

Todos os momentos eternos
São ternos o quanto quisermos
Na efemeridade dos tempos perdidos
Que nos damos...a alguém.

Que sopre o tufão
Todos os afetos de meus versos.
Não quero ninguém,
E nem mesmo alguém.

Seria hedonismo?
Seria narcisismo?
Levar a vida a dedicar meu afeto a mim mesmo.

Fui e já não estou.
Nem sequer sou o que fui,
Porque nunca se é o mesmo
Se é um ser;
E um ser preso na liberdade das determinações da alma
Que quem sabe será autônoma.

Contudo,
Nem mesmo o eu me prende a mim:
Sonho com quebra-cabeças de peças sem encaixe,
E não encaixo em lugar algum.

Apenas sou o que não é,
E estranho-me.

Poema de: Frank Leber.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:42 AM
 


18.1.06

Poema IV de Fim de Festa

Poemas desabitados entre céu e outono,
sem pessoas, e sem gastos de transporte,
quero que não tenha ninguém por um momento em meus versos,
e não ver na areia vazia os sinais do homem,
marcas dos pés, papéis mortos, estigmas
do passageiro, e agora
estática névoa, cor de março, delírio
de aves do mar, petréis, pelicanos e pombas
de sal, o infinito
ar frio,
uma vez mais antes de meditar e dormir,
antes de usar o tempo e estendê-lo na noite;
por esta vez a sociedade marítima,
boca a boca com o úmido mês e a agonia
do verão sujo, para ver crescer o cristal,
como sobre a pedra ao inexorável silêncio,
como derrama o oceano sem matar sua energia.

Poema de: Pablo Neruda, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:47 AM
 


11.1.06



Turma do último exame, dia 22/12/2005. Eu sou o faixa preta em pé à esquerda do vídeo.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:05 AM
 


10.1.06

(C)alma Byron

Ora,
Que será de Ricardo Reis,
De seu mestre Guardador de Rebanhos?
Que será da tenebrosa sombra do Aconcágua?
E das idéias
Transportadas no lombo das burras palavras
Feito coisas pesadas?
Que será, pobre Byron,
Do matrinômio de Céu e Inferno
E dos que cirandam com letras
Sem sentido
No rol dos esquecidos como quem bebeu?
Que será, pobre Byron, do teu romantismo,
Ultra, última geração?

Que será, Byron,
Da razão como emoção,
E dos sentidos, dos pensamentos,
Sendo guardados por Caeiro,
No meio de cheiro de mato,
Que não acho bom ou não,
Mas estou de acordo e apenas cheiro?

E dos fora isso?

Ó!, que será dos fora isso?

Fora isso,
Acalme-se querido Byron:
"O poeta é um fingidor".

Poema de: Francisco Maximiano da Silva




Utopia Onírica

Então,
Na imensidão insana,
Que ainda não estava
Em versos brasileiros
Ou de gente lusitana,
Disse num sonho que não levava
O som dos pandeiros
Na floresta mágica que partia lenha;
E depois, sentado num tronco sonhado,
Esperava a que me guardava
Em algibeira de coração.
E sonhando
Fui andando
Pra casa,
Voando a andar no ar,
E ao entrar disse-lhe
A surpresa de presente
Que a levava para dar:

"Já parti muita lenha,
Mas quero que venha
Devagar.
Isso...,
De olhos fechados",
Que cobri-lhes com as mãos,
E cheio de comoção,
Levei-lhe ao espelho,
"Acho que vai ser uma das coisas mais lindas
Que você já viu;
Mais linda que o Sol sonhado
Alaranjado a se por apanhado
Em silêncio iluminado,
Ou do que estrelas intensas num céu muito limpo
Em qual brilha como deusa do Olimpo".
Tirei-lhe devagar
As mãos que lhe vendavam os olhos,
E Ela viu a si mesma no espelho,
Linda de fazer chorar.
"Está vendo,
Não é linda?"
E Ela sorriu...

Poema de: Francisco Maximiano da Silva



Poema Solar

Júpiter distante
Reina gigante
E sozinho
Na solidão de ser quase estrela,
E por ter anéis invisíveis,
Queima-lhe a inveja de rei dos nove,
Em núcleo quente de hidrogênio metálico,
De seu irmão,
Na mitologia seu pai,
Saturno dos anéis estonteantes.

Mas, do rei gigante
E seus princípes gasosos
De hidrogênio e metano,
Para além do cordão de pedras,
De Júpiter até Urano e Netuno,
O que nas suas gigantesas lhe atiça
A inveja olímpica dos deuses
É só o terceiro, próximo a chama da vida:
Pálido ponto azul mal cuidado,
Que ainda singra vivo pela imensidão
De um infinito negro
Carregando os filhos de Adão.

E plutão, gelado,
Segue distante,
Calado e frio.
Só acompanhado
Por seu barqueiro descarnado,
Caronte na imensidão gelada
E indiferente.

E a Terra?
Ainda viva,
Segue quente
... E azul.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


"Olhos à frente, a Alma atrás.
A vista física só
Funciona à frente
A da Alma às costas
Precisa ficar".


Poema de: Eiko Suzuki.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 2:55 PM
 


6.1.06

Receita para rejuvenescer
( Lição de poética )


A lição de poética começa assim:
Não tente interpretar um poema,
Um poema diz o que diz.
E se te disserem que o dia nublado vai ser feliz,
Diga sim.

Feito o prefácil, comecemos então.
Lição do dia:
Ria,
E se ver um passarinho,
Sossegado numa árvore
Ou pousado como rei num fio,
Diga pra ele assim:
"Bom dia amiguinho!"
E se ele sair voando,
Acene com um adeus como que para um amigo
Que volta depois.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva




JÁ HOUVE dias de memória antiga
Em que já fui menor por fora
E, quem sabe, maior por dentro
Que a coragem e sonhos de todos os homens grandes:

Grande como uma criança.

A criança que já fui,
O Eu que já foi
O Sonhador
Visionário,
Corajoso,
Utopista saudoso,
Ou o Titã não mitológico e onírico,
Embora concreto de não há muito,
Com a força diamantina dos de pouca idade,
Fora enfrentar os deuses da realidade,
Montados em tronos celestiais de um Olimpo de dizeres e saberes.
E naquele tempo, triste de tão alegre,
Eu era o Titã, em corpo pequeno e a alma grande,
Que derrubava deuses sem sonhos,
Sem ilusão,
Sem comoção,
E sem esperança,
Criança corrida.

Hoje? Só lembranças,
E, quem sabe?,
Cinzas de esperança que possam incendiar como a fênix
E renascerem como o menino pequeno que já fui
E trazia a força de uma alma imensa.
Então,
Os sonhos é que viriam a ressuscitar
E o poeta aprenderia a amar.

Se me amam,
Logo existo.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


A TEMPESTADE cadente
E demente,
Gélida, prata e molhada,
Cai mortalmente
Sobre a morada
Dos excluídos de 31 de dezembro,
De toda gente sem rosto que nem lembro,
Dos excluídos de todos e de tudo;
E que quando podem,
Na liberdade famélica para jantar fora,
Tomam a felicidade da inconsciência em goles baratos:
Zumbis não-viventes;
Pobre gente!
E a chuva,
Gélida e metálica como facas frias,
Furiosamente despenca cadente
Sobre a morada dessa gente
...A rua
Nua, asfáltica,
Cimentada e crua.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:37 AM
 
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